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O objetivo deste blog é discutir idéias, expor pontos de vista. Perguntar mais do que responder, expressar mais do que reprimir, juntar mais do que espalhar. Se não conseguir contribuir, pelo menos provocar.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

VAIDADES IMPERIAIS E O CALENDÁRIO

Existem coisas que mesmo que alguém queira que seja de uma forma, ela não será! E não adianta nem ser imperador. Um exemplo cotidiano é o calendário no Brasil. No dito popular, ouve-se muito que no Brasil o ano só inicia depois do carnaval. E na minha opinião leitor, não é só percepção não: Na prática só temos 'decisões' de verdade depois que àqueles que mandam de verdade voltam para o trabalho, a saber, depois da festa da carne.

Lendas circundam o fato que o ano não inicia no mês 01 (um) e sim apenas em março, por uma decisão de Julio César que era fiel devoto do Deus JANUS, o protetor das colheitas. Em sua homenagem, e por decreto dele, Julio César, decidiu que o ano deveria começar em janeiro, em honra a JANUS e que o mês Quintilho (na época o quinto mês do ano) passaria a ter o nome de Julho (Julio) em sua homenagem. Júlio César era tão importante que o senado romano acatou seu decreto. Era o ano 46 antes de Cristo.


Na sequência da história, o imperador Augusto, com inveja de Júlio mudou o nome do mês seguinte, Sextilho (o sexto mês do ano na contagem antiga), para Agosto (de 'Augusto'). Como seu mês tinha um dia a menos, Augusto transferiu um dia de fevereiro para agosto, para que também seu mês tivesse a mesma contagem de dias do mês de Julio César. Por isto temos dois meses consecutivos com 31 dias e um mês com 28 dias, o já pobre Fevereiro.

Portanto, o que presenciamos anualmente, de que nosso ano só inicia mesmo em Março (mês de MARTE), é fruto de uma convenção baseada em poder, vontades e vaidades, como no mundo das organizações e da sociedade moderna.

Para mim a lição que "fica" é: O que historicamente permanece são as atitudes que constroem, àquelas que se baseiam nas virtudes e nos bons intentos. As bases corrompidas pela vaidade humana pouco há de permanecer, seja ela de um cidadão comum, sejam de imperadores ou autoridades. Pense nisto, e agora sim, um Feliz Ano Novo!


 
Por André Topanotti - Criciúma/SC - 28/02/2014

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O JORNAL QUE EMBRULHA A CARNE

Foi encantador ver Fátima Bernardes misturar jornalismo com salsichas, linguiças e frangos e ainda ter de explicar se vêm com ou sem hormônios e conservantes. Tocante ouvir a jornalista radiante por ter trocado a profissão por mais um programa de auditório onde ela dança, pergunta, canta, ri muito e informa pouco. Tudo no intervalo do Fantástico de domingo (23/2) e nos dias subsequentes. No anúncio, ela diz que gostou muito de ter substituído o “boa noite” pelo “bom dia”, mas ficou no ar se gostou de substituir notícias por embutidos como garota propaganda da Seara. Ela dá um sorriso ao lado de sobrecoxas e cortes de frango no anúncio da última edição de Veja – que não cita a jornalista na matéria da página 73 sobre “o cara do bife”.
 
Não, a cara que aparece na reportagem de Veja não é da apresentadora, mas do “é uma brasa, mora” Roberto Carlos, brasa agora simbolizando as chamas que vão grelhar o churrasco feito com Friboi. Roberto Carlos, o ex-vegetariano convicto, perdeu a convicção e resolveu, assim, por acaso, estrelar a campanha milionária da Friboi ao lado de Tony Ramos (O Globo, 22/2). O comercial produzido pela Conspiração Filmes é igualmente emocionante para quem curtia o Rei, apesar da polêmica da biografia proibida. No filme, Roberto Carlos almoça com família e amigos, mas reclama quando o garçom traz massa apenas para ele – se for Friboi, a carne é dele. Toca o refrão: “Eu voltei, agora pra ficar...”
Tanto a Friboi quanto a Seara das salsichas de Fátima pertencem ao maior produtor de carne do mundo, o grupo JBS, do empresário Joesley Batista, que delirou com os R$ 300 milhões de vendas depois que Tony Ramos assumiu a campanha que vai marcar sua carreira. Nunca mais o rosto do ator vai aparecer como o jagunço Riobaldo da minissérie Grande Sertão, Veredas, como o Marcio Ayala da novela Pai Herói, o grego Nikos em Belíssima, o empresário Antenor Cavalcanti de Paraíso Tropical ou o indiano Opash Ananda de Caminho das Índias sem que o símbolo da Friboi pulule na cabeça do público. Mais de 20 peças e alguns filmes, a medalha oficial da Ordem do Rio Branco recebida há cinco anos – e agora, Friboi. Junto com o Roberto Carlos, com quem esteve pela primeira vez aos 16 anos interpretando a dupla Tony e Tom & Jerry, no programa Jovem Guarda.
Por que as carnes atraíram subitamente Tony, Fátima e Roberto? Fátima foi contratada por 5 milhões de reais, segundo o portal Newtrade (23/2), e o Rei, calcula-se, por quantia igual – o que não é nada para o grupo que no ano passado faturou 100 bilhões de reais.
Pelé vende shampoo contra caspa Head & Shoulders, Luciano Huck vende a TIM, Marília Gabriela vende imóveis – marcas que, como os carros, já não vendem mais os produtos, mas quem os pilota. As ações da Victoria’s Secret caíram 31,5% em 2007 quando Gisela Bündchen deixou a grife de lingeries. As inserções de celebridades têm o poder de Midas. O economista americano Fred Fuld garantiu na revista Forbes que o valor de mercado da Bündchen pode chegar a 445 milhões de dólares (1,05 bilhão de reais), engolindo o de Neymar (77,5 milhões de dólares, 183 milhões de reais).
Tudo bem para as marcas. Mas o que acontece com a marca do ator, da jornalista, do cantor até então romântico fazendo campanha contra carne? Com que cara fica o público?
Numa entrevista à coluna “Direto da Fonte”, de Sonia Racy (Estado de S.Paulo, 16/12/2013), o diretor Luiz Fernando Carvalho reconheceu que a televisão brasileira tem dado claros sinais de esgotamento. E noutra entrevista ao Magazine Littéraire (fevereiro, 2014), o escritor espanhol Eduardo Mendoza desabafa por todos: como está difícil amar a espécie humana... e acreditar nos ídolos.
 
Por Norma Coury - Blog Espaço Aberto
Fonte: http://blogdoespacoaberto.blogspot.com.br/2014/02/o-jornal-que-embrulha-carne-e-o-rei.html

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

VIVER DA MORTE

 
Há pouco tempo ficamos sabendo que um grande amigo estava doente, acompanhamos a distância todo o seu tratamento e o sofrimento da família. Depois de certo tempo estava ele recuperado de um grave problema no fígado, era assim que parecia. Pouco tempo depois o problema retorna e agora somente um transplante pode realmente mantê-lo vivo. Diante desta situação sua esposa comenta em uma conversa: “é ruim imaginar que alguém deve morrer para ele viver”. Para ela não é um dilema vazio, mas a dura realidade de que alguém vai ter de morrer para que seu marido continue vivo. Para ela, o fato de o marido viver da morte de outra pessoa é algo que desconforta, incomoda. Depois de refletir um pouco sobre sua situação pensei na minha própria, de terapeuta. Por natureza um terapeuta é alguém que vive do sofrimento de outras pessoas, ou seja, se não houvesse sofrimento, dor, provavelmente não haveria ganhos. Há, muito provavelmente, muitos outros profissionais que vivem da morte do outro, do sofrimento alheio.
 
No entanto, quando uma pessoa chega ao ponto de precisar de transplante, por qualquer motivo que seja ela está dando ao órgão da pessoa que faleceu a chance de continuar vivo. Por exemplo, morre um jovem em um acidente de automóvel, seus órgãos estão em perfeito estado, a pessoa que precisa destes órgãos pode dar a eles continuidade de vida. Já houve alguns casos em que a família do doador vê na pessoa que recebeu o órgão a continuidade da vida, alguém com quem estabelecem um vínculo para o resto da vida. Por mais que a pessoa que precisa de transplante espere pela morte de alguém para continuar vivendo não é ela quem diz quem e quando vai morrer para obter o que precisa. É ela o receptáculo para a continuidade, a oportunidade que um órgão tem de continuar vivendo, como uma parte de uma pessoa que continua sua jornada em outro lugar.
 
Na terapia não é muito diferente: o terapeuta é aquele que, mais do que muitas outras pessoas, consegue trabalhar com a dor do outro. É ele a pessoa que tem as condições para, mesmo com toda a dor que compartilha com a pessoa, encontrar um caminho onde não exista dor ou sofrimento. Não é o terapeuta quem provoca ou deseja a dor, mas sim aquele que estuda, se prepara, para estar diante de alguém como um caminho. Muito ao contrário do que parece, não vive ele da dor das pessoas que lhe procuram, mas da alegria de suas realizações, do encantamento de seus sonhos, do brilho ainda existente em cada olhar. Quando não consegue auxiliar uma pessoa em seu caminho também se chateia, chora, sofre a dor de não ter conseguido.
 
Assim, profissionais que pretensamente vivem da morte do outro, assim como pessoas que esperam pela morte do outro para a doação do órgão, são as oportunidades de a vida continuar. É muito provável que um médico não tenha como sonho ver as pessoas doentes, mas que elas estejam bem, saudáveis. A dor e a doença fazem parte da vida de cada um, assim como os profissionais que abraçaram a causa de estar junto nos momentos mais difíceis. Muitos destes profissionais dedicam suas vidas para que os outros possam continuar vivos, dedicam sua saúde para que outros possam permanecer saudáveis, dedicam sua sanidade para que outros permaneçam sãos. Não se vive da morte do outro, mas se dá oportunidade do outro continuar vivo em mim.

 
Rosemiro A. Sefstrom - Criciúma/SC
Fonte: http://rosemirosefstrom.blogspot.com.br
 
 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

DEMISSÃO SEM CORAÇÃO

Comentário de Max Gehringer para a rádio CBN sobre uma ouvinte que foi demitida depois de 17 anos na mesma empresa: "Fui demitida após trabalhar 17 anos na mesma empresa. Aliás, a única em que trabalhei na vida. Estou me sentindo um trapo, porque a comunicação me foi feita em tom impessoal, gelado e burocrático, como se 17 anos fossem 17 dias. Diga-me, por favor, alguma coisa que me faça acordar melhor amanhã."

Você deve ter menos de 40 anos de idade. E portanto, a sua carreira profissional ainda nem chegou à metade. Por isso, pelos próximos 20 anos, não se iluda achando que empresas são organismos com sentimentos. Pode até ser que muitas acreditem que sejam e preguem que são, mas uma simples mudança de cúpula já será suficiente para desfazer essa ilusão. É só chegar alguém com a missão de podar custos, que empregados entram na mesma categoria dos móveis e utensílios.

A proteção vem de outro lugar: da lei trabalhista, que evoluiu desde 1943, quando a CLT entrou em vigor. Naquela época, um empregado que quisesse pedir demissão sem se preocupar com o que a empresa pudesse achar, só precisava fazer o que continua precisando fazer hoje: conceder 30 dias de aviso prévio. Já pelo lado do empregador, entretanto, a lei apertou mais o cerco, impondo mais restrições e maiores penalidades em casos de dispensa sem justa causa.

O sonho da estabilidade, no entanto, só existe no serviço público. Em empresas privadas, um profissional precisa estar sempre preparado para uma má notícia repentina, como a que você recebeu. O mercado de trabalho não é justo para com os justos. Tenha isso em mente e a sua história profissional nunca mais voltará a ser escrita pelos outros.


Max Gehringer, para CBN - 21/02/2014.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

MODELO MENTAL

Kant, filósofo alemão, diz que o homem tem um esquema mental que o permite reconhecer e agrupar as coisas de acordo com suas categorias. Para ele as categorias já estão em nós, ou seja, é uma característica inata do ser humano, aspecto que a Filosofia Clínica discorda.
 
Outro filósofo, chamado Arthur Schopenhauer, diz que o mundo é de acordo com minha representação, ou seja, existe um mundo diferente para cada pessoa. Unindo as ideias destes dois grandes pensadores pode-se dizer então que para cada um o mundo é vivido de maneira diferente e ainda que cada um tem um modelo mental através do qual percebe e classifica o mundo que está a sua volta. Desse modo, alguns modelos mentais permitem que algumas pessoas andem pela cidade e percebam certas coisas, como carros, pessoas, estradas, prédios, mas não lhe permitem ver as flores, os pássaros, os cachorros, a grama verde.
 
Agora, imagine que você gerencie uma organização. Nela, de acordo com o seu modelo mental que orienta a sua representação de mundo, existem muitos problemas. Ao longo de sua vida como gestor procura acertar as questões que percebe para tornar seu negócio cada vez mais rentável, mais competitivo, mais viável. Um pai de família faz o mesmo em sua casa, quando percebe que tem problemas em sua família procura corrigir, conversar, ensinar. Assim também acontece, provavelmente, com um professor, pois este identifica o que precisa ser ensinado e começa seu trabalho. Enfim, de acordo com o modelo mental de cada um e a representação de mundo gerada pelas vivências só é possível resolver algumas coisas, muitas outras ficam de fora.
 
Um gestor pode, ao longo de sua caminhada, perceber que resolveu todos os problemas que parecia ter e ainda não conseguir chegar ao seu objetivo. Ao perceber isto contrata um consultor, uma pessoa que vai auxiliá-lo na identificação das questões que limitam seu desenvolvimento. O consultor, pelo seu modelo mental percebe muitas coisas que são tão ou mais importantes do que as questões trabalhadas pelo gestor. O consultor faz o levantamento, aponta as questões e sugere soluções, que em sua visão terão o melhor efeito para as questões propostas. Cada um a partir de seu ponto de vista percebe algumas coisas e não percebe tantas outras. Um gestor atento se apropria do conhecimento trazido pelo consultor e agora também ele tem em seu modelo mental abertura para as questões observadas pelo consultor.
 
 
Em uma família, assim como na gestão, cada qual tem seu modelo mental diferente. Há casos encontrados no consultório onde marido e mulher já não se entendem, estão com dificuldades em afinar suas conversas. Ao observar cada um em separado, existe a vontade de melhorar o relacionamento, mas cada qual a seu modo está tentando do jeito errado. O modelo mental do marido aponta que o problema no casamento só pode ser de ordem financeira, enquanto pelo modelo dela o problema no casamento só pode ser de ordem extraconjugal. Assim, ele procura cada vez ganhar mais para tentar solucionar o problema do casamento com dinheiro e ela tenta resolver o problema do casamento marcando em cima. Como terapeuta é preciso apontar ao casal que existem diversos problemas que podem afetar o relacionamento e assim abrir aos olhos para uma questão simples: talvez o problema do casamento é o fato de que não conversavam mais antes de tomar uma decisão.
 
Kant estava certo sobre os modelos mentais, sua incorreção estava em entender que todos tínhamos o mesmo modelo. Em Filosofia Clínica percebemos que para cada ser humano existe um modelo mental único, e assim precisa ser tratado em cada contexto. Um modelo mental está em constante construção, algumas vezes o que a você é impensável alguém já pensou. Se em seu modelo mental existem problemas, podem haver modelos mentais nos quais existam soluções para os seus problemas.
 
 
Por: Rosemiro A. Sefstrom
Fonte: http://rosemirosefstrom.blogspot.com.br/

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

ASSÉDIO SINDICAL

Decididamente meu ouvido anda crítico demais, e para ajudar meus olhos não veem as coisas como há alguns anos atrás. O filósofo Heráclito puxar-me-ia pelos  cabelos e diria: "Tolo! Não és o mesmo homem, nem estás no mesmo rio...” Mesmo que alguns me lembrem que trabalho com pessoas a quase 20 anos, entre programas de qualidade, certificações ISO, sala de aula, treinamento, recursos humanos e segurança no trabalho, eu não sou mais o mesmo e as circunstâncias que envolvem as pessoas e seu contexto também não são mais as mesmas. Não adianta reclamarmos queridos amigos de RH, líderes, gerentes e diretores, que os jovens desta geração são diferentes, não respeitam hierarquias, não dão a mínima para as “horripilantes” advertências. Para nós, os céticos da geração "X" ou os antecessores Baby Boomers, "levar gancho" e "assinar livro negro" funcionou barbaridade! Hoje não mais. Vamos mudar de estratégia para comprometer as pessoas, ou inventar de vez processos que não dependam de pessoas, como ouvi de um colega gerente de produção de uma empresa de São Paulo. Pode?! Pena que ainda “pode”.
 
Insisto em falar da mudança que estamos passando nesta geração, pois o problema está se estendendo inclusive nas esferas jurídicas, nas agremiações, igrejas e onde mais houver uma “tal” hierarquia estabelecida e um poder sendo exercido: Cabe uma reflexão de como este poder se movimenta, como ele envolve ou compromete seus liderados. Para ilustrar este pensamento, neste final de semana conversei demoradamente com um gestor de RH de uma empresa do norte do estado (SC) que me relatou um problema que está vivendo o sindicato dos trabalhadores do ramo em que sua empresa atua. Diz meu competente colega que o sindicato têm sofrido com uma baixa de ‘renda’ por conta da desistência sistemática de profissionais da contribuição ‘espontânea’ de um dia extra de trabalho da folha de pagamento das pessoas vinculadas àquela classe. Contou-me o colega que o sindicato têm pressionado as empresas acusando seus “RH´s” de retaliação ao sindicato, porém ignoram o fato de que dia após dia os novos ‘profissionais’ têm sido mais críticos, cobrando principalmente “retorno” de suas contribuições em forma de benefícios “palpáveis”. Desconto sem contrapartida companheiro... Esquece!! #tamufora diria a galera desta nova geração de profissionais aos sindicalistas da era dos dinossauros que pensam que basta um megafone e um discurso inflamado ao som de “...ala pucha tchê, não se assustemo...” para mobilizar esta gurizada high-tech.
 
 
O que mais pesou, em especial na empresa deste meu consternado colega, foi que no ano de 2012 houve um princípio de greve. Em assembleia, resultado apertado em favor da greve, os sindicalistas foram para frente da empresa e fecharam seu portão principal. Negociações acaloradas para garantir que algumas pessoas pudessem entrar e conseguir pelo menos avisar os clientes e tomar as medidas necessárias para manter a segurança na mesma, 15 pessoas foram autorizadas a entrar. No momento em que estes ‘companheiros’ perfilaram para passar pelo portão, um ‘corredor polonês’ se formou com sindicalistas acalorados que em gritos de ordem bradavam para outros colegas da fila polonesa que empunhavam algumas câmeras digitais: “Filma bem... bate foto aí... esses são os pelegos que não merecem aumento!!”
 
Disse o indignado gestor que depois foi procurado por alguns daqueles profissionais que declararam terem se sentido ameaçados pelos companheiros do sindicato, e questionaram se eles poderiam ter agido daquela forma, com câmeras e palavras de baixo calão. Para eles, isso seria assédio, certo?  Tive que ‘tirar o chapéu’ para a resposta do meu amigo: “Fulano, assédio moral existe lei clara que pune a empresa e seus líderes, caso ocorra fatos semelhantes. Agora Assédio Sindical não existe amigo. Pode ir trabalhar tranquilo pois o que você acabou de passar na frente do portão não passa de lendas e estórias que a classe burguesa inventa para desmoralizar os movimentos sociais.” É estimado leitor, os tempos estão mudando. Para mim, vale a pena  #ficarligado !!

Tenha e faça um ótimo fevereiro!


Por André Pais Topanotti – Criciúma/SC – 11/02/2014.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O CANTINHO DA FOFOCA

Comentário de Max Gehringer sobre um ouvinte que não participa de encontros de colegas para falar mal da empresa e por isso está sendo excluído do grupo.
 
"Vivo uma situação desconfortável", um ouvinte escreve e explica: "Em meu departamento ocorrem dois pequenos encontros diários de colegas. Um pela manhã e outro a tarde, na salinha do café, para criticar ações de outros setores ou para ridicularizar os chefes e os diretores. Esses encontros são um festival de gargalhadas, com todos falando alto e procurando encontrar o maior número possível de defeitos nas pessoas e na empresa. Eu sou sério e esse tipo de comportamento não tem nada a ver comigo. Por isso nunca compareço aos encontros. O resultado é que fui colocado para escanteio. Desconfio que alguns colegas até suspeitem que eu seja uma espécie de informante da chefia. Como posso contornar essa situação desagradável?"

Sem dúvida, comparecendo aos encontros, ouvindo as bobagens que são faladas e rindo delas. O que você descreveu me parece muito mais uma brincadeira para amenizar a pressão do ambiente de trabalho do que uma demonstração de falta de apreço para com a empresa. Até me dá a impressão daquelas conversas de domingo em família, nas quais os parentes ausentes são motivos de críticas e piadas, sem que isso vá afetar a harmonia familiar quando todos se encontrarem.

Eu já mencionei outras vezes que um funcionário não conseguirá impor o seu estilo pessoal se ele agir de modo muito diferente dos demais colegas. Se esses encontros que você menciona já se tornaram uma rotina e se o desempenho da empresa nunca foi afetado por eles, a conclusão é a de que eles são inofensivos. E não vale a pena você criar um distanciamento por ser o único a desaprová-los.

Max Gehringer, para CBN - 07/02/2014.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

LULA ENSINA PT A SE PORTAR NA REDE

Em vídeo divulgado na sua conta no Facebook, Lula criticou “o jogo rasteiro da “calúnia” na internet. Lecionou: “Quando você calunia, você não politiza, você não educa, não produz um fruto.'' Declarou-se a favor de “responsabilizar as pessoas que usam a internet” inadequadamente. Torça-se para que os companheiros do PT ouçam o grande líder. Basta acompanhar os movimentos da infantaria do partido de Lula na web para não acreditar mais em paz no Oriente Médio. Na sua penúltima incursão, a tropa atirou contra o ex-aliado Eduardo Campos na página oficial do PT no mesmo Facebook.
 
Num texto intitulado “A balada de Eduardo Campos'', o amigo de Lula foi tachado de “tolo'' e “playboy mimado''. A ex-petista Marina Silva, abrigada no PSB depois que a brigada inviabilizou a criação da Rede, foi chamada de “vaidosa” e de adepta do “adesismo puro e simples.” Como se vê, Lula tem muito a ensinar ao partido de Lula.
 
 
Fonte: Blog Espaço Aberto
 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

SENADORES TEMEM TERRORISMO NA COPA

Recebi do dedicado aluno José Cácio, o texto do site Folha Política, projeto de lei de autoria dos senadores Marcelo Crivella (PRB/RJ), Ana Amélia (PP/RS) e Walter Pinheiro (PT/BA), o PL 728/2011, cuja votação está sendo apressada no Congresso, prevê limitações ao direito à greve, além de considerar atos de manifestações, sob determinadas circunstâncias, terrorismo.
 
O texto do site Folha Política explica o que os Senadores estão propondo. É até interessante, mas como o blog leva meu nome e penso ser este um espaço para opiniões, de meu ponto de vista, tal lei só vem consolidar uma percepção que tenho de que somos o País das Leis, porém da impunidade: Essa é nova concorda? Sempre esbarramos, e esta lei será outro exemplo de como colocá-la em prática. Leia abaixo a lei e pense em sua execução. Com certeza veremos outra vez a incapacidade, pior... incompetência, (e sem entrar no mérito da 'falta de 'exemplo') do poder público de fiscalizar e de efetivamente "encarcerar" os patifes que merecem ficar 20 ou 30 anos na cadeia para purificar a sociedade das práticas de vandalismo à coisa pública. Terrorismo pra mim é o que certas siglas partidárias fizeram com a consciência política de nossa nação.
 
Dizem que vivemos numa democracia. Semana passada eu almocei com o Coelho da Páscoa e ele disse que está pronto para o feriadão de Abril.
 
Segue o texto na íntegra. Boa leitura.
 
 
De acordo com a ementa - parte do texto em que se resume a proposta: O projeto define crimes e infrações administrativas com vistas a incrementar a segurança da Copa das Confederações FIFA de 2013 e da Copa do Mundo de Futebol de 2014, além de prever o incidente de celeridade processual e medidas cautelares específicas, bem como disciplinar o direito de greve no período que antecede e durante a realização dos eventos, entre outras providências".
 
Dispõe o art. 4º:"
Provocar ou infundir terror ou pânico generalizado mediante ofensa à integridade física ou privação da liberdade de pessoa, por motivo ideológico, religioso, político ou de preconceito racial, étnico ou xenófobo: Pena – reclusão, de 15 (quinze) a 30 (trinta) anos.
 
§ 1º Se resulta morte:
Pena – reclusão, de 24 (vinte e quatro) a 30 (trinta) anos.
§ 2º As penas previstas no caput e no § 1º deste artigo aumentam-se de um terço, se o crime for praticado:
I – contra integrante de delegação, árbitro, voluntário ou autoridade pública ou esportiva, nacional ou estrangeira;
II – com emprego de explosivo, fogo, arma química, biológica ou radioativa;
III – em estádio de futebol no dia da realização de partidas da Copa das
Confederações 2013 e da Copa do Mundo de Futebol;
IV – em meio de transporte coletivo;
V – com a participação de três ou mais pessoas.
 
§ 3º Se o crime for praticado contra coisa: Pena – reclusão, de 8 (oito) a 20 (vinte) anos.
§ 4º Aplica-se ao crime previsto no § 3º deste artigo as causas de aumento da pena de que tratam os incisos II a V do § 2º.
§ 5º O crime de terrorismo previsto no caput e nos §§ 1º e 3º deste artigo é inafiançável e insuscetível de graça ou anistia".
 
Neste ponto, cabe ressaltar a abertura do tipo penal, de forma que muitas condutas podem ser nele enquadradas. O fechamento de uma via pode ser considerado privação da liberdade de pessoa, considerando-se que a mesma terá, em certa medida, sua liberdade de ir e vir cerceada por uma manifestação que bloqueie uma via de acesso?
 
Como motivação ideológica ou política, pode-se enquadrar a aversão a possíveis gastos excessivos e a à corrupção e ao superfaturamento ocorrido nas obras voltadas aos citados eventos esportivos? Por que a motivação ideológica, justificativa apresentada para tais atos, deveria constituir um agravante, isto é, algo que enquadre a conduta no tipo penal?
O que seria considerado" infundir terror ou pânico generalizado "? Seria possível enquadrar manifestações de enorme vulto, que somem centenas de milhares de pessoas contrárias a determinado evento, atrapalhando a sua realização ou, indiretamente, coibindo a presença de pessoas no mesmo?
 
Caso, em manifestações pacíficas, alguns sujeitos, inclusive infiltrados por opositores aos protestos, iniciem depredações, haverá uma preocupação em distinguir participantes pacíficos? Em que medida esta lei poderá causar medo entre ativistas, considerando-se que, caso estejam em uma manifestação legítima e pacífica, poderão ser"envolvidos"em crimes que poderão atingir pena de até 30 anos?
 
Na justificativa, está escrito que “a tipificação do crime ‘Terrorismo’ se destaca, especialmente pela ocorrência das várias sublevações políticas que testemunhamos ultimamente, envolvendo nações que poderão se fazer presente nos jogos em apreço, por seus atletas ou turistas”. Conforme o dicionário Michaelis, define-se sublevação como “incitar à revolta, insurrecionar, revolucionar [...] revoltar-se”.
 
Há discussões jurídicas quanto à violação do artigo 5º inciso XVI da CF de 1988, o qual afirma que:"todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente".

Ademais, critica-se a desproporcionalidade da punição ao" vandalismo ", o qual, ainda que reprovável, poderia acarretar sanção superior à cabível ao crime de homicídio, punível com pena de 6 a 20 anos.
 
Cabe a reflexão.
 
Por Felipe Garcia - Folha Política

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

UMA ODISSÉIA EM GUARULHOS

Sabem aquela expressão "imaginem na Copa!", que alguém solta quando vê a bagunça, o tumulto, a desinformação generalizadas por aqui, seja no trânsito, seja no aeroportos, seja em qualquer lugar, sobretudo nas cidades-sedes do Mundial?
Pois é. Passageiros que estavam na fila internacional do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, na última sexta-feira, disseram isso várias vezes.
 
Dois leitores do blog ESPAÇO ABERTO estavam lá. O redator publicitário publicitário Marcos Cangiano e sua namorada. Apenas ela viajaria para o exterior. Mas ambos - e trocentos outros que estavam na fila quilométrica -  testemunharam a bagunça. Acompanhem, abaixo, o relato do Marcos, que também mandou a foto:
 
O que passamos hoje (eu e Laís) é um retrato fiel do quanto podemos não nos orgulhar enquanto nação. Porque, analisando a fundo, falhamos muito neste sentido. Uma ida ao Aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo, por si só já é uma aventura. São cerca de 25 km do centro da cidade - seguindo o padrão da maioria das capitais cosmopolitas, onde o aeroporto fica em regiões periféricas. A grande diferença é a variedade e a qualidade dos meios de transportes disponíveis. Em SP temos três possibilidades para chegar até lá: de carro próprio ou carona de um valente jesuíta, de táxi (em média R$ 90 do centro) e com o Ônibus Airport Service (por volta de R$ 30) que parte de diversos pontos da cidade. De outras cidades já em estágios avançados de desenvolvimento, quase todas possuem uma linha de trem ou metrô que sai de dentro do terminal e chega ao centro da cidade, normalmente em 30 minutos. Além, é claro, das opções que nos já temos.
 
Eu me questiono sobre o porquê de ainda não termos a tal da Linha Branca do metrô até o aeroporto, prometida para a Copa 2014. Por que o drama que passamos no trânsito a caminho de lá não existiria se houvesse essa linha, que não será entregue a tempo. Foram 2h30 para sair da Rua da Consolação e chegar até Guarulhos, em um trecho que leva 20 minutos em dias sem trânsito. Que, aliás, estava especial. Juntamos temporais na cidade, com pessoas indo viajar, voltando para suas casas e a quantidade pornográfica de carros na rua. Sem falar das faixas exclusivas para os ônibus - que eu acho ser um caminho interessante para resolver alguma parte da questão da mobilidade urbana por aqui -, que ainda vão demorar a surtir o efeito esperado. Não, o paulistano não deixou o seu carro em casa. Porque ele não tem ainda um transporte público de qualidade, rápido, confortável e que garanta a sua segurança. Não, ele prefere a segurança de seu automóvel, muitas vezes sozinho, a se arriscar nas ruas aonde se assassinam homossexuais por puro sadismo e um preconceito escabroso. A nossa babilônia esta cada vez mais "de pau duro". E, dos lados lá do Planalto, diminui-se o imposto sobre os automóveis.
 
Pois bem, chegando a Guarulhos, a típica dificuldade em se achar uma vaga - que está melhorando, sejamos justos, com um novo edifício-garagem parte do projeto de modernização da área e do futuro terminal 3. Para fazer o check in, filas intermináveis e falta de informação clara. Corredores abarrotados e sem esteiras rolantes, que ajudam na troca rápida de terminais. O aeroporto de Schiphol, em Amsterdam (HOL), possui várias, indispensáveis na hora de uma conexão rápida.
 
Pois bem, feito o despacho das bagagens, o funcionário da American Arlines gentilmente nos alerta para o embarque imediato (faltando 1h30 para a decolagem), pois a fila internacional era enorme e eles não passariam ninguém na frente. Quando perguntei a ele se não era possível uma ajuda da companhia aérea, por conta do horário apertado, ele me respondeu: "Se a gente vai lá, os policiais federais tomam o nosso crachá". Me pergunto em qual lei ou direito eles se baseiam para cometer esse tipo de arbitrariedade. Feito isso, vamos até a fila e o choque: um mundarel de gente esperando para passar pelo controle de passaportes. A fila fazia 5 voltas, indo e voltando, e lá haviam no mínimo umas 500 pessoas, sendo bem pessimista.
 
Era uma desorganização vergonhosa. Enquanto a Laís esperava a sua vez chegar (apenas ela embarcaria), fiquei de olho nos "operadores de fila", aqueles aspones pobre-coitados. Nenhum e nenhuma falavam uma palavra em outro idioma. Oras, estamos no embarque internacional, espera-se pessoas de outras nacionalidades embarcando por ali, certo? Dito e feito, vários deles, vendo o caos, ficavam desesperados pedindo ajuda para embarcar preferencialmente, procedimento de praxe em qualquer aeroporto sério. Os bedéis apenas davam de ombros, diziam "não entender" e mandavam os pobres para o final da fila. Só eu ajudei ao menos uns 6 com orientações, pois por sorte falo inglês. Sorte mesmo. A Copa do Mundo é quando mesmo? Estava até o tal marido da Fernanda Lima (alô Fifa!), o Rodrigo Hilbert, esperneando no balcão de informações. Pegou a fila como todo mundo, além de tirar umas fotos com as fãs.
 
Tenho certeza que muita gente perdeu seu voo ontem à noite. O que fazer? Hotel no aeroporto? Imagina. Apenas um da Marriot, um tanto quanto distante, sendo necessário um carro para ir até lá. Por sorte a Laís conseguiu embarcar, não sem antes passar por mais aperto e falta de orientação e organização na sala de embarque - precisando inclusive pegar o "busão" que leva até a aeronave. Fingers? Conforto?
 
A minha conclusão dessa história toda é que, somado ao recente aumento do imposto sobre a compra de moeda estrangeira (desta vez nos cartões de viagem) o governo também pretendo dificultar a viagem para o exterior já na alfândega, diminuindo a quantidade de oficiais. O processo torna-se estressante, cansativo e frustrante. Tem gente a pensar duas vezes antes de sair de Terra Brasílis. É claro que é preciso considerar que estamos em um período de férias, é natural que o aeroporto lote. O que não é natural é o descaso e a falta de informação gritante da equipe do aeroporto e a moleza da Polícia Federal, que aliás é bem eficiente na hora da chegada, quando garantem os iPhones e PlayStations da criançada, apreendidos todos os dias de quem não quer ser taxado em até 70% sob o valor do produto.
 
Vamos mal. E 2014 já chegou.
 
Fonte: Blog Espaço Aberto

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

ESTÉTICA OU EFICIÊNCIA?

Transcrição do comentário de Max Gehringer para a rádio CBN sobre um ouvinte que tem uma secretária muito eficiente, mas que se veste mal. 
Um ouvinte escreve: "Sou profissional liberal e tenho uma secretária que está comigo há muitos anos. Ela é tremendamente eficiente, mas se veste muito mal. Os clientes fazem elogios a ela quando são atendidos por telefone, mas ficam com uma péssima impressão quando a conhecem pessoalmente. Já cheguei a conversar com ela, até meio constrangido, mas o resultado foi nenhum. O que faço? Se a demito, perco uma excelente profissional. Se a mantenho, tenho que continuar tentando explicar a meus clientes o que há de errado com ela."

Bom, vamos lá. Você pode estar diante de uma pessoa com elevada autoestima profissional e baixa autoestima pessoal. Ou pode estar diante de uma pessoa rara nos dias atuais: uma mulher que descrê da célebre frase de que imagem é tudo.

O que posso lhe sugerir, para começar, é oferecer a ela um curso como prêmio pelo ótimo desempenho dela. Um desses cursos somente para secretárias, no qual a sua encontrará outras mulheres que fazem o que ela faz, mas que capricham no visual no dia a dia, e mais ainda quando sabem que vão encontrar outras secretárias e as comparações serão inevitáveis.

Esse choque de realidade costuma funcionar. Mas, se não tiver qualquer resultado no caso de sua secretária, minha sugestão é que você a mantenha e não tente mais mudá-la. Entre o visual e a eficiência, imagino que o seu negócio dependa muito mais do trabalho bem feito do que da impressão dos clientes.


Max Gehringer, para CBN, 03/01/2014.


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

ELOGIO DA SINGULARIDADE


O homem, o que é? Diariamente o homem é definido, ora é um animal dotado de razão, dali a pouco já é um bárbaro que destrói o ambiente em que vive. Qual conceito seria o mais adequado para definir o homem? O foco está na palavra “conceito”, palavra de origem grega que define todo processo de descrição, classificação e previsão dos objetos do conhecimento. Conceituar o homem quer dizer descrevê-lo, classificá-lo e ter certa previsão sobre ele. Será que isso é possível? Olhe para o lado: você convive com várias pessoas no seu dia-a-dia. Pense na pessoa que você mais “conhece” e depois tente descrevê-la. Depois de descrever tente classificá-la, como seria? Boa, má, otimista, pessimista, inteligente, ignorante, quais seriam as classes que caberiam a ela, ou seria necessário criar classes para ela? Por fim, tente prever os comportamentos desta pessoa. Talvez reconheça que em alguns casos até mesmo coisas básicas não são previsíveis. Como se pode arrogar o direito de tentar definir conceitualmente o homem?

Quem sabe seja muito difícil definir o outro. Tente então conceituar a si mesmo, descrever-se, classificar-se e prever seus próprios comportamentos. Há uma gama vasta de pessoas que se espantam consigo mesmas, admiram o próprio comportamento, não sabiam que eram capazes. Como então, seria possível que eu, que não consigo conceituar a mim mesmo tenho a pretensão de conceituar todos os outros que estão ao meu redor? Um dos grandes exemplos desta dificuldade está em conceituar Deus: o que é? Quem é? Como conceituar? Vários filósofos tentaram conceituar Deus e tiveram sérios problemas, perceberam que a complexidade é muito maior que a capacidade humana de entendimento. Será que o ser humano também não é muito mais do que se tenta conceituar? Bom, mau, pecador, santo, humilde, soberbo, são todos conceitos atrelados a comportamentos e não a pessoas.

Não há nada de mau em um conceito, o problema está em ligar um conceito a uma pessoa. Quando você pega um conceito e liga-o a uma pessoa está personalizando um conceito, tornando-o palpável. A partir deste momento aquele conceito, avarento, por exemplo, passa a ser a própria pessoa e não seu comportamento. Por isso não é recomendável dizer: “Fulano é avarento”. Ao conceituar a pessoa como avarenta ela pode ser descrita como avarenta, ser classificada como avarenta e ser previsível como avarenta. O ser humano foi reduzido ao comportamento de juntar dinheiro, avarento é um adjetivo, ou seja, um atributo do substantivo. De comportamento pode-se levar para outras áreas, em alguns lugares pelo mundo o homem é reduzido à sua crença, em outros reduzido a sua cor de pele. Aqui, em nossa região o homem pode ser reduzido ao carro que tem na garagem, à casa que tem na praia ou não tem, às roupas que veste.

Cada ser é único, “inconceituável”, não é possível, por mais tempo e conhecimento que se tenha, conceituar um ser humano, quem dirá “o” ser humano. Alguns filósofos, algumas correntes filosóficas tentaram conceituar o ser humano, muitos acharam ter conseguido completar tal tarefa. Mas, ainda hoje, dois mil e quinhentos anos depois do início da trajetória o homem ainda não foi conceituado adequadamente, um dia talvez. Ao olhar para seu filho, não o conceitue, classifique ou tente prever seu comportamento, ao contrário, tente se aproximar, conhecer e, quem sabe um dia, você verá seu filho. O conceito é uma sombra nebulosa que cobre o ser e quanto mais forte for o conceito, menos se verá o ser.
 
 
Por: Rosemiro A. Sefstrom
Fonte: http://rosemirosefstrom.blogspot.com.br


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

DIVIRTA-SE COM O IR 2014

A nova tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física foi corrigida em 4,5% e está vigorando desde o dia 1º. As deduções serão feitas nos salários que serão pagos a partir de 2014 e valem para a declaração de Imposto de Renda de 2015. Na declaração que deverá ser feita neste ano (2014), será usada a tabela de 2013.De acordo com a tabela da Receita Federal, estará isento do imposto quem ganhar até R$ 1.787,77, por mês. A alíquota de 7,5% valerá para quem ganha entre R$ 1.787,78 e R$ 2.679,29. De R$ 2.679,30 a R$ 3.572,43, a alíquota é 15%. A alíquota de 22,5% vai incidir nos salários de R$ 3.572,44 até R$ 4.463,81. E a alíquota de 27,5% é para quem ganha acima de R$ 4.463,81 por mês.
 
De acordo com informação da Agência Brasil, o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal alertou mais uma vez sobre a defasagem entre a Tabela do Imposto de Renda Pessoa Física e a inflação, que fechou o ano em 60%.
 
Segundo o sindicato, várias pessoas que eram isentas, por ganhar menos, passaram a pagar o imposto. Por conseguinte, terão que fazer a declaração para ter o direito à restituição, conforme as normas da receita. Também está em vigor a nova tabela de IRPF sobre o valor percebido pelos trabalhadores a título de participação nos lucros das empresas (PLR).
 
A tabela é progressiva, e consta da instrução normativa publicada hoje (02/01/14) no Diário Oficial da União (DOU). Para o ano-calendário de 2014, estão isentos do Imposto de Renda, os valores de PLR de até R$ 6.270,00. A partir de R$ 6.270,01 até R$ 9.405,00 a alíquota do IR será de 7,5%, com parcela a deduzir de R$ 470,25. De R$ 9.405,01 a R$ 12.540,00, a alíquota será de 15% e a parcela a deduzir, R$ 1.175,63. De R$ 12.540,01 até R$ 15.675,00, a alíquota é de 22,5% e a parcela de dedução, R$ 2.116,13. Acima de R$ 15.675,00, a alíquota do imposto é de 27,5%, com parcela a deduzir de R$ 2.899,88.
 
 
Fonte: Agência Brasil - 02/01/2014

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

UM NOVO CALENDÁRIO

Comentário de Max Gehringer sobre o ano novo e a história dos calendários:
 
Embora o resto do universo ignore tal fato, no minúsculo planeta Terra celebra-se hoje o início de mais um ano. Não no planeta inteiro, mas apenas nos países que adotam o calendário gregoriano.

Por milênios a fio, ninguém no mundo sabia em que dia um ano terminava e outro começava. E ninguém estava lá muito preocupado com isso.

Os romanos, entretanto, decidiram que o ano deveria começar em janeiro. Não havia um bom motivo para justificar essa mudança, já que até então o ano começava em março e ninguém estava reclamando. Supõe-se que o fato tenha ocorrido ali pelo ano 150 antes de Cristo, mas ninguém sabe ao certo.

No ano 46 da era cristã, o imperador Júlio César resolveu adotar um novo calendário. E a partir daí, o primeiro de janeiro ficou institucionalizado. Exceto nos países britânicos, que sempre foram meio teimosos e só concordariam com a mudança mais de 1700 anos depois.

Júlio César era tão importante que o senado romano decretou que o mês Quintilho passaria a ter o nome de Julho. E seu sucessor, o imperador Augusto, ficou com inveja e mudou o nome do mês seguinte, Sextilho, para Agosto. Mas como seu mês tinha um dia a menos, Augusto transferiu um dia de fevereiro para agosto, igualando a conta.

Portanto, o que hoje se celebra é apenas uma convenção, feita de poder, vontades e vaidades, como no mundo corporativo.

Qualquer dia pode ser o início de um novo e iluminoso ciclo, para quem decida que assim será, para sua própria existência ou para sua carreira profissional. Poderia até ser hoje. Mas, como estamos no Brasil e hoje é feriado, é melhor deixar para pensar nisso amanhã.

Max Gehringer, para CBN - 01/01/2014.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

SALÁRIO BOM E EMPRESA "ENGESSADA"

Comentário de Max Gehringer  sobre uma ouvinte cujos amigos lhe dizem que está perdendo tempo trabalhando numa empresa burocrática, mas que paga bem: "Trabalho em uma empresa na qual imperam a burocracia, a morosidade e a mediocridade. Qualquer ideia nova é atacada como se fosse um vírus letal. Eu me cansei de oferecer sugestões para modernizar o nosso trabalho, mas nunca consegui emplacar uma só proposta que fosse. A empresa é antiga, tem pouca concorrência e por isso se dá ao luxo de permanecer nessa perigosa zona de preguiça.

Meus amigos me dizem que estou perdendo meu tempo nessa empresa. E eu concordo, mas há um detalhe que não posso desconsiderar: meu salário é bom. Não creio que para fazer o mesmo tipo de trabalho que faço aqui, eu conseguiria uma proposta de outra empresa para ganhar o que ganho atualmente. Esse é o meu dilema. Sair para ganhar menos de imediato, porém com melhores perspectivas de futuro, ou me render à mediocridade e continuar a pagar minhas contas com folga no meu orçamento? O que você poderia me aconselhar?"


Bom, eu lhe aconselho a ser mais cuidadosa com essas pesquisas entre amigos. A não ser que todos eles ganhem mais do que você, o que é bem pouco provável dada a descrição que você fez da situação, a maioria trocaria correndo de lugar com você. Quem não iria querer ganhar mais, sem muito incômodo e sem muita pressão?

Acredito que seus amigos estejam apenas reagindo ao que você diz. E por isso eles concordam que você esteja perdendo tempo, porque essa é a impressão que você mesma está passando. Tente começar a falar somente sobre as coisas boas que a sua empresa lhe oferece e seus amigos lhe dirão que você precisa agradecer aos céus por ter o emprego que tem.

 
Max Gehringer, para Rádio CBN em 26/12/2013.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A ÓPERA DE SATANÁS

Sei que a esta altura do ano nada mais se quer além de esperar que, no calor de nosso verão, se vá este ano velho e surrado. Mas, como filósofo que sou, mesmo na preguiça, penso, senão, não existo. E levo você, meu companheiro de leitura, comigo às profundezas dessa filosofia de fim dos tempos. Quando quero falar a sério com meus alunos -agora em férias- sobre nosso tempo contemporâneo, digo a eles que imaginem do que rirão nossos descendentes em mil anos. Não conheço ciência profética mais científica do que pensar o ridículo que encontrarão em nossas seriedades contemporâneas.
 
Sou homem sem causa, como sabe bem meu ilustre leitor, e, mais, duvido de todos que alguma causa defendam. Espero que recuperem a capacidade de serem canalhas honestos, e não como nós, que travestimos nossas vaidades em causas pela humanidade. Pouco sei com segurança, depois de alguns anos e alguns poucos livros, mas, com certeza, como cético que sou, estou seguro de que se deve desconfiar de pessoas com bons sentimentos. 
 
Rimos de nossos antepassados. Se, antes, nossos avós os consideravam dignos de reverência, agora, nós, contemporâneos, os julgamos ridículos por terem vivido antes dos tablets e do direito ao voto. Rimos de suas crenças em deuses cabeludos, em apocalipses vindouros, em mundos imateriais. Mas, temo, rirão mais ainda de nós, esses nossos descendentes.
 
Rirão de nossa inútil obsessão pelo povo e sua soberania. Rirão de nossa ciência política e sua consciência histórica. Rirão de nossa certeza sobre o aquecimento dos polos e voltarão à astrologia por ser ela uma ciência mais modesta do que a do clima. Para eles, nossos descendentes, ideias como as nossas soarão como hoje nos soa alguém crer que trovões seriam os deuses arrastando suas pedras no infinito.
 

Rirão de nossa obsessão em buscar pureza em civilizações mais pobres como as dos índios, que seriam mais honestos simplesmente porque nunca tiveram opção de sofisticar suas mentiras, como nós temos. Quando pensarem em nós, esquecerão nossa tecnologia neolítica e farão seus alunos lerem livros sobre como éramos covardes e infantis. E sentirão vergonha, preferindo os gregos e os romanos, por serem mais lúcidos sobre a cegueira do destino.
 
Tentarão inutilmente acessar a razoabilidade de crermos que inventamos a nós mesmos e de que exista algo como "construção social do sujeito", ideia interessante, se não engraçada, mas que sustenta outra ainda mais engraçada, que é aquela que afirma a existência de uma construção social planejada de novos sujeitos. Tendo passado por sofrimentos atrozes que os esperam, sofrimentos esses criados por nós e nossas manias de luxo, saúde, direitos e democracia dos idiotas, os coitados dos nossos descendentes serão forçados a redescobrir que a vida tem dono, e que não somos nós os donos, mas sim algum espírito que, no fundo, não nos tem em alta conta, por isso, quando muito, revela sua indiferença preguiçosa para com nossa dor.
 
Reescreverão passagens bíblicas, porque chegarão à conclusão de que são mais certeiras do que nossa vã sociologia de macacos sem pelos. Sua cosmologia e antropologia serão mais parecidas com aquela que afirma ser a vida uma ópera.
 
Sim, uma ópera, cujo libreto foi escrito por Deus e a música por Satanás, segundo o que nos diz Dom Casmurro, personagem afligido pela incapacidade de determinar a verdade última acerca da fidelidade de sua mulher (talvez um dos problemas filosóficos mais sérios, muito mais do que o suicídio).
 
Satanás, atormentado pela inveja de seus colegas Gabriel, Miguel e Rafael, se revoltou. Deus deixou, por preguiça, que ele levasse consigo, às profundezas do inferno, seu libreto. Lá, tendo composto a música, criou a ópera. Voltou ao Pai Eterno, como criança escrava neurótica de seu senhor, e pediu a Deus que a executasse em seu conservatório.
 
Tendo negado inúmeras vezes o pedido de seu anjo angustiado, Deus acaba por autorizar a execução, mas o proíbe de fazê-lo nos céus.
 
Para esta tarefa, cria nosso mundo, e o dá ao nosso triste maestro.
 
 
De Luiz Felipe Pondé - Folha de SP - 26/12/2012