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O objetivo deste blog é discutir idéias, expor pontos de vista. Perguntar mais do que responder, expressar mais do que reprimir, juntar mais do que espalhar. Se não conseguir contribuir, pelo menos provocar.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

LIDERANÇA PELO EXEMPLO

No artigo 'O Discurso Indesejável' abordamos a importância do líder desenvolver uma competente capacidade de comunicação. Entendo que outras técnicas e ferramentas são também relevantes para o exercício da liderança eficaz. Por isto gostaria de manter-me neste tema abordando o que em minha opinião e a técnica mais poderosa com que um líder pode "ganhar" seus liderados: "O Exemplo". Existe hoje uma demanda não só das organizações, mas fundamentalmente de nossos liderados, muito maior do que tínhamos épocas atrás. Precisa-se hoje de lideres realmente capacitados e que possam ir além do simples comandar, que inspirem suas equipes. Ouvi de Rogerio Cher no Congresso Catarinense de RH: "Os lideres de hoje precisam saber 'convocar a alma' de seus liderados para o negocio da organização." Fantástico! Digo ainda que esta capacidade é muito relevante, porque em décadas passadas o titulo do cargo muitas vezes era o bastante para que as pessoas obedecessem, em alguns casos talvez por temor de uma demissão; por uma pressão baseada na autoridade, como popularmente conhecemos como liderar "no grito". Hoje é inaceitável tal postura em empresas com uma gestão profissional e moderna. Entretanto ainda existe sim 'chefes' com este estilo de comando, isto sem mencionar que existem outras formas do ‘chefe’ oprimir e humilhar um subordinado sem precisar gritar com ele. É o que a legislação define como 'assedio moral'.

Esta necessidade tão presente e visível em nossas empresas deve-se por alguns fatores, porém percebo que um em especial, de caráter sistêmico relevante, desencadeia alguns efeitos peculiares:
- O IBGE já constatou uma mudança importante na curva etária da população brasileira, como podemos ver na imagem abaixo, extraída da página 22 do relatório do Banco Mundial, disponível em http://siteresources.worldbank.org/BRAZILINPOREXTN/Resources/3817166-1302102548192/Envelhecendo_Brasil_Sumario_Executivo.pdf

- Aliado a este motivo, temos uma crescente necessidade de profissionais por conta de um aquecimento econômico nunca antes visto na historia deste país, segundo muito já ouvimos em pronunciamentos e anedotas, porém pouco há de anedota nesta constatação;
- Acrescenta-se a este cenário as mudanças na lei da aposentadoria em 1994 que através do fator previdenciário, pressionam os profissionais a permanecerem por mais tempo em atividade para que possam se aposentar usufruindo de melhor rendimento deste benefício do INSS. 


Com todos estes ingredientes juntos temos como resultado o encontro no mesmo local de trabalho quatro gerações de características bem diferentes e peculiares: Tradicionais, Baby Boomers, Geração X e Geração Y. E o quadro é este: Todos estes profissionais precisando ser liderados. É um desafio e tanto. Dias atrás vinculei na coluna de noticias do blog, texto que trás a informação que segundo os profissionais da geração X e Y os lideres da geração 'X' foram escolhidos dentre vários estilos de lideres como aqueles que melhor conseguem lidar com as diferenças destas gerações. Penso que esta qualidade possivelmente tenha se consolidado porque foi a geração que vivenciou a transição das maiores mudanças tecnológicas e sociais dos últimos 20 anos, precisando desta maneira desenvolver grande flexibilidade e adaptabilidade sem abrir mão da ética e dos valores em suas relações.

Voltando ao centro do tema proposto, atrevo-me a pensar em voz alta: Acredito muito na eficiência da linguagem lúdica, semelhante às parábolas que eram usadas por Jesus através de seus ensinamentos. Na filosofia clínica este é um sub-modo que se dá o nome de “vice-conceito”. Usando desta técnica Jesus falava a multidões com um publico de característica bem diferenciada e muitos recebiam e entendiam sua mensagem. Mais próximo a ele, seus discípulos, também tinham características bem distintas: Pescadores, cobradores de impostos, médicos, financistas. Uma equipe bem eclética. Em diversas oportunidades, após seus ensinamentos por parábolas, Jesus chamava seus discípulos em particular e explicava-lhes o significado das parábolas, realizando assim o treinamento 'no local de trabalho'. Eis um exemplo de liderança prática, que não só 'manda', mas que explica, ensina e realiza no dia a dia, com postura eficiente e eficaz. Prova desta eficácia é que mais de 2000 anos depois, cá estamos nós falando de seus ensinamentos e suas técnicas.


Penso que estamos frente a uma situação organizacional onde a prática da liderança pelo exemplo pode ser um eficiente método de convocar o coração, a alma como disse Rogério Cher, seja de um profissional da geração baby boomers, tradicionais, 'X' ou 'Y'. Digo por percepção cotidiana que esta ultima geração citada, a 'Y', por dispor de muita informação será a que menos precisará ser 'ensinada', mas a que mais necessita ser conquistada pelo 'coração'. É uma geração ávida por heróis, por exemplos que os conquiste. Sinal desta provavel constatação é que muitos dos heróis que foram sugeridos a esta geração foram resgatados de décadas passadas.


Encaminho-me para o findar deste artigo lembrando de uma breve história, onde numa pequena cidade, religiosos da localidade instituíram uma lei para que nenhuma pessoa cruzasse a frente de um sacerdote no horário das orações, pois onde o sacerdote estivesse, dado o badalar do sino, estes sacerdotes deveriam parar e realizar suas orações, não podendo neste momento nenhuma pessoa cruzar a frente do sacerdote, pois este deve estar 100% concentrado em suas orações naquele momento. Certa feita, uma turista desavisada percebeu o toque do sino, porém não viu que logo a sua frente ia um sacerdote. A turista não conhecendo a lei do local continuou calmamente sua caminhada. Passou pelo sacerdote, foi até uma banca de jornal que estava a sua frente e retornando pelo mesmo caminho, quando novamente cruzou pelo sacerdote, que desta vez a interpelou muito indignado: “Não conheces nossas regras e nossa lei? Não sabes que nós sacerdotes não podemos ser cruzados pelo caminho para que possamos cumprir nosso dever de ficarmos concentrados 100% em nossas orações?” Desculpando-se respondeu a turista: “Mil desculpas, mas realmente não conhecia a lei deste lugar, senão não a teria infringido, mas permita-me pergunta-lo: Se é dever sacerdotal ficar concentrado 100% nas orações, como o senhor sacerdote me percebeu cruzando em sua frente?”

Pode parecer inofensivo o detalhe desta história extraída do Talmude, contada por Shalom Rosenberg em uma de nossas aulas da pós-graduação, mas para mim, revela dois aspectos riquíssimos da liderança pelo exemplo: Primeiro é a prática e  a vivência que efetiva qualquer regra, teoria ou lei. A prática e o exercício dos fundamentos e valores que acreditamos nos creditam falar e defender tais práticas frente à nossas equipes. Discursos emocionados e sermões moralistas, sem a base vivencial referendada pelo exemplo, para os liderados destas novas gerações, que não temem mais a demissão, não passará de conversa fiada e terá grande chance de ser motivo de piadinha em corredores e no cafezinho. E o segundo ensinamento desta “parábola”: Líder que dá exemplo nunca precisa achar alguém para colocar a culpa por suas falhas. A prática de seus valores leva o líder não só a excelência da execução, mas também o ensina na humildade, pois praticando, o líder entende que sempre poderá fazer melhor, e se errar, reconhecer a falha o fará mais forte ainda.

Pense nisto, e faça uma ótima semana!

Por André Topanotti – Criciúma/SC – 22/07/2012.

Um comentário:

  1. Nádya Niehues Becker26 de julho de 2012 às 12:58

    Oi André,
    Parabéns pelo seu texto. Acrescento à sua receita dois ingredientes poderosos, do meu ponto de vista: Criatividade e flexibilidade. Além de todas as citadas por você, estas duas ferramentas permitem olhar para nossos novos conceitos e contextos e seguir da melhor maneira possivel com fluidez....

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