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O objetivo deste blog é discutir idéias, expor pontos de vista. Perguntar mais do que responder, expressar mais do que reprimir, juntar mais do que espalhar. Se não conseguir contribuir, pelo menos provocar.

sábado, 30 de junho de 2012

O DISCURSO INDESEJÁVEL



Nos dias de hoje e ao estudar a historia, percebo que uma das características marcantes dos maiores lideres é seu grande poder e habilidade de comunicação. James Hunter define liderança como a capacidade de um determinado individuo de influenciar pessoas e alcançar resultados positivos junto a elas. Em minha opinião é importante que pessoas públicas, lideres empresariais, gestores, ou seja, qualquer individuo que exerça algum tipo de liderança sobre pessoas tenha a consciência que para o liderado, tudo que seu líder diz, fala e faz, representa muito mais do que ele imagina, e terá uma repercussão muito maior do que sua intenção, porque tal ação parte do líder, não de um par comum, e do ‘comandante’ exige-se muito mais do que os ‘comuns’. Penso que algumas figuras publicas, desde políticos ate atores de TV e jogadores de futebol, deve-se também incluir neste publico. Alguns destes reclamam que são muito criticados quando erram. Acredito que este é o preço, a contrapartida natural pela posição destacada a que este consegue ocupar na sociedade. Alguns líderes acham que precisam fazer discursos emocionados para agradecer seus liderados, enquanto para uma boa parcela dos profissionais às vezes um gesto de 'OK' e um sorriso apenas bastaria para que ela entendesse que seu 'chefe' gostou do seu trabalho.




Deixe-me dizer por que estou trazendo este assunto hoje: Certo dia pela manhã estava ouvindo um programa matinal de uma importante radio da região e ouvi a entrevista de um renomado empresário sobre um dos empreendimentos de sua empresa. Explicando sobre os benefícios deste empreendimento no local onde o mesmo foi instalado. Disse o empresário: 'Nossa empresa, com este empreendimento também ajudou a tirar daquele lugar, pessoas não convenientes à sociedade. ' A expressão se deve em função de que aquele lugar, antes abandonado era usado por dependentes de drogas, e trazia insegurança à vizinhança do local, que agora estava satisfeita com a entrega deste empreendimento. Porém o termo e a forma como foi dita pelo empresário me chocou tanto que foi como se saísse do radio uma mão e me desse um tapa no rosto, me acordando de fato naquela hora meio sonolenta do dia. Impressionou não só a mim, tanto que alguns colegas me questionaram se também tinha ouvido esta entrevista. Nestas situações às vezes, pela falta de habilidade no trato das palavras, ou pela  própria falta de planejamento do que se pretende dizer em público e de algumas expressões mal colocadas, podem render ao líder criticas desnecessárias. Sobre as 'pessoas indesejadas pela sociedade' por exemplo, penso que estas são antes de qualquer coisa produto desta mesma 'maravilhosa' sociedade que repudia e faz vistas grossas, jogando para baixo do tapete tais problemas sociais. Mas este não e o tema principal deste texto.


Acredito que a preparação e preocupação de um líder, gestor ou empresário de como se comunicar com sua equipe, ou em publico é de suma importância. Um bom planejamento do discurso e também o ajuste de termos e colocações, adequados ao publico que ouvirá a mensagem, é algo que podemos exercitar de forma pratica no dia a dia. Se o líder tem fluência e eloquência reconhecida, do mesmo modo, muito cuidado. Basta lembrar-se das diversas gafes que nosso ex-presidente deixou na sua historia de discursos, e comparar com o atual desempenho da nossa presidente ao microfone. Longe de compara-los enquanto pessoas, mas do ponto de vista de preparação para seus pronunciamentos, a 'dona' Dilma esta dando aula para Lula. Alguns minutos de preparação, uma breve redação, ou ate mesmo uma lista de assuntos ou roteiro a seguir são ações ‘legais’ de se realizar para se comunicar de forma adequada. Para os mais perfeccionistas (como eu), quem sabe até ensaiar na frente do espelho. Sem risos, combinado?! Bem, para mim funciona e vale a pena se preparar do que comunicar o indesejável.

Paz, força e coragem amigos!

Por André Topanotti - 30/06/2012 - Criciúma/SC

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Taxa de emprego no Brasil subiu 5,2%, diz Previdência

A criação de empregos formais atingiu a marca de 2,5 milhões entre 2010 e 2011 no país, o que significa um aumento de 5,2% na taxa de emprego. Ao todo, são 51 milhões de pessoas com vínculo empregatício, contribuintes individuais e servidores públicos, ou seja, um, em cada quatro brasileiros, está empregado. Os dados são do boletim estatístico (GFIP), divulgado nesta segunda-feira (25) pelo Ministerio da Previdencia Social. O resultado do balanço mostra que a economia brasileira continua em forte crescimento. O aumento do número de empregos formais foi significativo e isso mostra o dinamismo do mercado de trabalho brasileiro, ressaltou o secretário de Políticas de Previdencia Social, Leonardo Rolim. Segundo o boletim, o número de contribuintes individuais e empregados domésticos foi o que mais cresceu: 6,47%. Foram criados mais de 300 mil novos postos de trabalho. Os contratados com vínculo cresceram 5,8% – 2,2 milhões a mais. Já a nomeação de servidores públicos caiu 0,18%. Os dados são importantes porque permitem conhecer e melhorar a cobertura previdenciária no Brasil e, a partir dessas informações, avaliar se as políticas estão alcançando o objetivo principal que é o de aumentar a cobertura previdenciária, explicou o secretário.



O boletim é um documento de preenchimento obrigatório para as empresas. Mais de quatro milhões de estabelecimentos entregaram a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdencia Social (GFIP), totalizando R$ 19,5 bilhões devidos ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS). De acordo com a pesquisa, a maioria dos trabalhadores que possuem vínculos empregatícios é do sexo masculino. Os homens representam 57,8%, contra 38,7% das mulheres. Infelizmente, essa diferença de percentual, mesmo não sendo absoluta, ainda é grande. Isso ocorre porque a informalidade do trabalho é maior entre as mulheres, avaliou Leonardo Rolim. A remuneração média dos trabalhadores formais foi de R$ 2.244,00 mensais, aumento de 9,75% em relação a 2010. Cerca de 12,9 milhões dos empregados com vínculo têm entre 20 e 29 anos, e uma média salarial de R$ 1.711,00. Outros 11,8 milhões têm entre 30 e 39 anos, com remuneração média de R$ 2.423,00. A estimativa do secretário para os próximos três anos é que cobertura previdenciária atinja 75% da população. Precisamos gerar entre 2011 e 2015 mais 14 milhões de empregos. Com esse crescimento atual confirmamos que estamos encaminhando positivamente para a meta final, disse.


Postado em 26 de junho de 2012

domingo, 24 de junho de 2012

Deus Não é Cristão


Querido leitor, paz! Hoje vamos refletir sobre Deus e o cristianismo. O artigo de hoje vem sendo protelado há alguns meses. Parte de mim dizia para escrever e outra parte dizia para não escrever, mas, enfim, depois de uns bons meses, decido escrever. Como o leitor sabe, escrever diariamente sobre questões filosóficas, econômicas, teológicas, enfim, sobre questões gerais, sem dar um conselho, um direcionamento, tudo isso é uma tarefa desafiadora. E tenho tentado nesses quase dois anos do programa Como o Mundo me Parece. E, na grande maioria das vezes, conseguido lograr êxito. Eu acho. Tenho observado durante todo este tempo que quando toco no tema espiritualidade e acabo entrando na religiosidade, menciono, é claro, o mestre Jesus Cristo. Pouco ou quase nada de ponderações. Mas que em outras ocasiões, quando também menciono outros iluminados como Krishna, Maomé, Buda, dentre outros, aqui, somente aqui, quando não falo do cristianismo com exclusividade, recebo críticas pesadas. Confesso que isso me mexeu muito e procurei refletir sobre a questão sem fazer o mesmo jogo de alguns de meus interlocutores, que é jogar com o preconceito.


Minha reflexão mais aguda continuou até a semana passada, quando acalmei minha alma ao me deparar com um livro esclarecedor cujo título é instigante: refiro-me ao livro “Deus não é Cristão”. Escrito pelo arcebispo da Igreja Anglicana da África do Sul, Desmond Tutu, o livro “Deus não é Cristão” é uma boa fonte aos homens de boa vontade, a perceber que Jesus é verbo, não substantivo. Desmond Tutu está longe de ser um líder cristão convencional, já que sua presença na mídia é constante, mas não dirigindo programas evangelísticos de TV ou vendendo bíblias e livros. Sua imagem e sua história estão ligadas as lutas pacíficas por igualdade social e racial, pela dignidade do ser humano, pela tolerância e, é claro, pela paz, causa que lhe valeu o Prêmio Nobel da Paz em 1984. Tutu não tem medo de gerar debates em torno de um tema tão delicado, pois, para ele, há uma insistência milenar do ser humano em se arvorar como “dono da verdade”. Quando escreve que Deus não é cristão, o arcebispo, que é cristão, faz questão de ressaltar que a obra não se trata de um livro contra o cristianismo, e sim, uma forma franca de demonstrar que é possível identificar manifestações da misericórdia e do amor divino em todo o mundo, em diversas religiões e líderes iluminados.


Em outras palavras, Deus não é patrimônio único de cristãos, muçulmanos, budistas, judeus ou fiéis de quaisquer credos, mas uma realidade incontestável em toda atitude de graça. Mesmo que o filho não siga as orientações do pai e que até não reconheça o criador como pai, o filho vai ser sempre filho. Ou um é mais filho que o outro? Faço minhas as palavras de Desmond Tutu, como privatizar, como deixar exclusivo algo que é universal? Afinal de contas, boa parte da humanidade não tem Cristo como mestre e outra parte sequer ouviu falar na sua vida, nos seus milagres. Ao rezar “meu Deus”, talvez pudéssemos refletir mais profundamente sobre o “nosso Deus”, “o Pai nosso”, pois em sua causa ainda se faz guerras, matou-se milhões de pessoas e se justificou a exploração econômica como a escravidão quando se dizia que o negro não tinha alma. Deus não tem chancela, não tem agremiação, não tem país. Deus é a união de todos os “Eus”, por isso De Eus, por isso Deus. Que tenhamos sabedoria para respeitar as diferenças e que estas nos levem cada vez mais ao Pai, embora existam muitas moradas na sua Casa. É assim como o mundo me parece hoje. 

E você, o que pensa sobre a exclusividade de Deus?

Por: Beto Colombo - Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 22/06/2012 e no Jornal A Tribuna no dia 23/06/2012.

sábado, 23 de junho de 2012

O Egoísta

Se alguém lhe perguntasse se você é uma pessoa egoísta, qual seria sua resposta? Sim? Não? Depende? Depende do que? O egoísmo em nossa sociedade é visto como um defeito, uma marca que algumas pessoas têm. Não é bonito ser visto como egoísta, mas será que realmente sabemos o que é ser egoísta? Consultando a internet achei um conceito bem interessante, lá diz que o egoísta é uma pessoa que tem o hábito ou atitude de colocar-se sempre em primeiro lugar. O detalhe é que a definição diz que estas pessoas se colocam em detrimento dos outros, ou seja, não interessa o outro, mas apenas eu. E, para finalizar, a definição diz que o egoísmo é o contrário do altruísmo.



Se pensarmos nesta palavra partindo de sua definição talvez possamos ter um entendimento diferente. A palavra egoísmo vem de duas palavras latinas “ego”, que quer dizer eu e “ismo”, que quer dizer prática de. Então, segundo essa definição a palavra egoísmo pode ser traduzida como a prática do eu. Assim, quando estou a pensar em mim estou a praticar eu, ou seja, exercitar meu eu. Mas cada um de nós tem uma quantidade imensa de conteúdos que podem ser exercitados dentro de si. Quando você sai pela manhã e vai caminhar, enquanto exercita o seu corpo, os benefícios que deseja para sua saúde podem ser considerados egoísmo? Quando você levanta cedo e só vai dormir tarde porque trabalha muito e quer ganhar bem, isso é egoísmo? Quando você se veste bem, cuida da aparência, lê bons livros e procura conhecer uma mulher bonita, inteligente que lhe faça feliz, isso é egoísmo? Quando entra num supermercado, compra bons produtos, procura o melhor para si, isso é egoísmo? Eu sei, alguns já estão de olho na palavra detrimento, dizendo que o egoísmo é pensar em mim em detrimento do outro.

Há um santo que dizia em seu tempo: “Tudo que eu tenho a mais do que eu preciso, não é meu”. É inevitável que enquanto eu ganhe bem, alguém ganhe mal, enquanto eu coma bem, alguém esteja comendo mal. Não há como evitar a desigualdade, uns com mais e outros com menos. O egoísmo é ou pode ser entendido como uma forma de se colocar como prioridade, coisa que muitas pessoas o fazem. E quem coloca o outro como prioridade, porque este não é errado? Por que isso não é feio?


No egoísmo ou exercício do eu, há uma parte da qual não se comenta. Pensem em pessoas que são muito boas, querem para si o melhor, mas estas pessoas acreditam que sua família faz parte delas. Nestes casos tudo o que elas conquistarem, provavelmente também será de sua família. É o caso do pai de família que é extremamente egoísta na empresa, porque ele é quatro. Quando ele pensa nele mesmo está pensando na esposa e mais dois filhos, o exercício do eu dele alimenta quatro pessoas.

Quando alguém exercita o seu egoísmo, devemos observar melhor o que essa pessoa anda exercitando e ainda, quem é ela. O eu de algumas pessoas são os seus amigos, o eu pode ser sua família, o eu pode ser a sua empresa. Então, quando pensarmos em egoísmo, seria interessante pensar antes em quem sou eu e o que eu estou exercitando. Meu egoísmo pode alimentar muita gente.

 Por Rosemiro A. Sefstrom - 22/06/2012 - Criciúma/SC

sexta-feira, 15 de junho de 2012

O CUIDADOR DE MEMÓRIAS

Tive uma vivencia única de conversar dia destes com um enfermeiro geriátrico que me contou algumas historias sobre seus pacientes na casa de idosos da cidade. Imagine, foram uns 45 minutos que fiquei aguardando meu vôo naquele barulhento saguão de aeroporto, mas parecia que estávamos numa igreja vazia na segunda pela manhã e que conversamos por só três minutos. Emocionante! De algumas até tristes, uma historia me chamou muito a atenção: A de uma "noninha" que dos altos de seus 80 anos tinha a lucidez de uma adolescente de 16 e a eloquência de uma professora em sala de aula. Contava a noninha sempre entusiasmada de suas lembranças românticas, a maioria delas com seu amado esposo falecido, outras não. Dava detalhes de roupas perfumes, lugares e penumbras que não era comum ouvir de uma senhora octogenária, mas sempre com elegância e discrição ela relatava com emoção os seus feitos enquanto ainda a juventude lhe favorecia.


Contou-me aquele jovem de no máximo uns 35 anos, postura responsável e educação incomum, que em certa feita, ela ainda relatou o seu primeiro dia na escola. Contou-lhe de detalhes da longa estrada que precisava caminha pelo interior onde morava até chegar na cidade; A pequena sala de aula onde os alunos de todos os anos estudavam; A única "muda" de roupa que tinha, sempre limpa, mas única; Os tamancos de madeira e couro que atravessavam os anos. Seus pés cresciam, mas tinha que continuar cabendo dentro dos tamancos. A noninha também era uma das grandes animadoras das festas da comunidade onde conheceu seu primeiro namorado, que depois veio a ser marido, pai dos seus filhos e avo dos seus netos. Este atencioso rapaz a ouvia relatar tudo com calma e singelo afeto. Disse-me que passava horas em atenção a ela, porém estranhava muito o fato dela dizer que se lembrava de poucas coisas quando recebia a visita de seus parentes, principalmente seus irmãos e filhos. Um dia o jovem enfermeiro tomou coragem e questionou a noninha: Porque você não conta para os seus parentes estas historias 'nona'? O semblante da simpática velhinha ficou 'sério' e desviou-lhe o olhar, relatou o enfermeiro. Com um tom seco ela respondeu: "Eles me corrigem demais". Foi então que ele começou a desconfiar que provavelmente as histórias poderiam estar sendo criadas pela noninha. Na primeira oportunidade que teve, conversou com um de seus irmãos mais novos que vinha sempre acompanhado com sua filha e um netinho dela. A desconfiança se desfez. Realmente, para família ela tinha mistos de alucinações. Porém para ele, nunca nos seus quase dois anos naquele lugar, a percebeu assim. Ela estava muito longe de parecer uma mulher alucinada ou louca. Na verdade, segundo o jovem, a família parecia ser o peso que a trazia de volta para uma realidade que ela não queria mais viver. Ficava incomodada com as visitas da família. Queria sim viver no misto de memórias e fantasias de sua lembrança, como se agora ela pudesse, amparada pelo efeito dos 80 anos em sua vida, viver sonho e realidade num só tempo: O tempo de sua mente, livre das correções e dos desencontros da historia. Tudo fazia sentido e todo final era feliz nas historias da noninha. O vôo do enfermeiro saiu 20 minutos antes do meu, mas fiquei eu como que voando, ainda 'vivendo' a historia daquela senhora e refleti: Como estas situações podem ocorrer?!


A filosofia clinica explica este comportamento a partir de um submodo chamado idéias complexas, onde o individuo tem um potencial imaginário para criar um determinado mundo para si. Pode ele sentir-se  mais realizado, protegido, mais importante talvez, nem sempre, mas provavelmente mais feliz naquele ambiente e historia, do que na realidade comum. Eis algumas questões que penso ser inevitáveis: Onde está o imaginário e a realidade nesta historia? Qual mundo faz mais sentido para a noninha? Com quem estava sendo ela mesma e com quem estava representando? Ela mentia? Caso existisse mentira, para quem ela mentia ou para quem escondia a verdade? Para o seu enfermeiro cuidador ou para a família? Não pretendo responder nenhuma pergunta. Gostaria sim de fazer duas provocações: Quanto da noninha temos 'ainda' dentro de nós? Ou estamos esperando nosso 'cuidador', um enfermeiro geriátrico que aos 80 anos vai nos ouvir para então vivermos o mundo ideal que desejamos? Acho que para muitas pessoas será assim, outras nem terão memorias para produzir. Ao levantar-se para tomar a fila de embarque, aquele jovem enfermeiro me deixou suspenso em uma frase que jogou ao ar. Enquanto ajeitava sua pequena mochila de couro nas costas olhando para o painel indicativo que chamava o vôo, me provocou: "Apesar de ser um sonho de pessoa, a noninha é mais real do que podemos imaginar." Essa senhora é familiar pra você?

Força, coragem e virtude!


Por André Topanotti - 15/06/2012 - Criciúma/SC



quarta-feira, 13 de junho de 2012

Estrangeiros esquentam disputa por vagas no Brasil

O mercado brasileiro está tão aquecido que tem profissionais de outros países buscando oportunidades aqui. Foi o que revelou o levantamento feito pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) que aponta que 70.524 mil profissionais estrangeiros foram autorizados a trabalhar no país em 2011. A quantidade de autorizações foi 25,9% maior em relação às 56.006 concedidas em 2010. “Esses profissionais vêm para cá porque sabem que as empresas recrutam trabalhadores de outras nações por causa do déficit de mão de obra qualificada que existe no Brasil”, afirma Márcia Almström, diretora de Recursos Humanos da Manpower Brasil.
Ainda de acordo com a pesquisa, mais da metade das 66 mil autorizações temporárias concedidas em 2011 referiam-se a profissionais com nível superior completo. “Engenheiros, executivos seniores, gerentes, professores e técnicos são os cargos que mais exigem a busca de profissionais além das fronteiras para diminuir a escassez”, diz Márcia.

Mas será que a vinda dos estrangeiros acirra mais a corrida pela melhor oportunidade de trabalho? Segundo Márcia, o profissional brasileiro que tem uma boa qualificação técnica não deve se preocupar muito com os candidatos de outros países, em geral. “As empresas preferem os trabalhadores nacionais porque não precisam se preocupar com a regularização de documentos e muito menos investir na adaptação cultural desses profissionais.”

Disputa acirrada – Quando o assunto são os cargos de liderança, no entanto, a disputa aumenta, como mostra a pesquisa feita pela Manpower que aponta que 40% dos empregadores brasileiros têm mais de um trabalhador expatriado no nível gerencial. “Os profissionais nacionais ganham vantagem nos recrutamentos para esses cargos também, mas é importante expandir o seu conhecimento sobre o comércio global em que atua porque as empresas buscam gerentes que tenham uma visão de mercado internacional para garantir maior competitividade e desenvolvimento para os negócios da companhia”, diz a diretora.

Preparado para a competição – Seja para qualquer área ou nível, a dica é estar preparado para as oportunidades do mercado de trabalho. Segundo Juliano Ballarotti, gerente das áreas de expertise Hays Engineering, Hays Logistics, Hays Procurement e Hays Construction & Property, a primeira recomendação é investir na qualificação técnica para agarrar uma boa oportunidade. “Não se contente apenas com a faculdade ou pós-graduação. Faça cursos complementares na sua área de formação para expandir seus conhecimentos e se destacar no ambiente corporativo.”

Fluência em idiomas – Não é mais novidade para ninguém que ter conhecimentos em outras línguas auxilia no desenvolvimento da carreira. Quando o assunto é concorrência internacional, então, esse requisito tem peso dobrado. “Os estrangeiros que vêm para o Brasil, geralmente, já têm noções intermediárias da Língua Portuguesa. Levando em consideração que esse profissional é fluente no idioma dele, imagina-se que ele sabe se comunicar pelo menos em duas línguas. Portanto, a dica é investir em um idioma até o nível avançado do que estudar um pouco de cada”, diz ele.

Diferencial brasileiro – Já que o povo brasileiro é conhecido pelo jeito comunicativo, receptível e alegre por que não aproveitar essas características para ganhar pontos positivos no ambiente corporativo? “Mostre que você tem competências comportamentais, como por exemplo, capacidade para trabalhar em equipe, otimismo, ética, foco em resultado e assertividade.”

Acredite em você – Não pense que não tem chances de concorrer de igual pra igual com um estrangeiro. “No processo seletivo o que conta é o perfil comportamental e não a nacionalidade do profissional. Confiar no seu potencial ajuda, e muito, na disputa por uma vaga”, diz Juliano.

Por Mariana Fonseca - terça-feira, 12 de junho de 2012

domingo, 10 de junho de 2012

VENDEDOR COMPULSIVO

Depois que iniciei os estudos da pós-graduação em filosofia clínica passei a me conter um pouco antes de falar, sendo talvez melhor ouvinte e pelo menos mais tardio em emitir opiniões, consequentemente menos 'tagarela'. E olha eu era um 'tagarela' de naipe maior. Quando se tratava de emitir uma opinião eu sempre tinha a minha "meio prontinha". Sabe aquela resposta que você ouviu de alguém em determinada situação e gostou dos argumentos expostos? Então, daí por diante, sem muito questionar ou aprofundar os argumentos, tomava pra mim a resposta e saia a repeti-la 'pelas ruas'. Isto é comum na formação dos pré-conceitos, dos quais as religiões são especializadas em fabricar. Pré-conceito é um dos elementos da estrutura de pensamento de um indivíduo, e pode criar pontos cegos em nosso olhar em direção ao próximo, determinantes para distorcer o que este próximo realmente é, ou que pode vir a ser.

Uma discussão que ouvi dia destes foi sobre o atendimento comercial em nossa cidade e região. A crítica era uníssona aos vendedores do comercio que ficam praticamente nas calcadas das lojas a espreita do primeiro olhar interessado para então atacar sua vítima consumista como se fosse uma presa. "Mal se consegue respirar e logo tem alguém te disputando para atender. Não há como ficar a vontade..." disse uma das pessoas que estava na discussão, quando de pronto outra interpelou: “É por isto que eu gosto de comprar em grandes lojas de departamento, a gente mesmo se atende e não tem vendedor nenhum incomodando. Eu entro e saio e ninguém me aborrece.” Noutra oportunidade, como bom tagarela, provavelmente concordaria com as críticas que estava ouvindo e acrescentaria ainda minhas experiências negativas neste sentido, pois não muito diferente dos demais também tinha esta percepção, porém existem pelo menos alguns outros aspectos a avaliar nesta relação, e seus infalíveis reflexos.

O primeiro vem de outro conceito que podemos considerar, tomando o cuidado é claro de não generalizá-lo para novamente cair em erro: Num treinamento sobre gestão e liderança eu ouvi de um renomado palestrante a seguinte expressão: “Comportamento gera comportamento”. Naquela oportunidade o objetivo do palestrante era ilustrar a responsabilidade que o líder tem em dar exemplo a seus liderados e como o seu exemplo tem poder de “conduzir” e influenciar no comportamento de sua equipe. Acabei por fazer uma relação inevitável com o caso em questão: Quem condicionou aquele comportamento nos vendedores? Foram seus “patrões” ou seus clientes? Quem é o “líder” nesta relação? De quem provém a maior parte da remuneração deste profissional do comércio? Uma pausa provocativa para que o silêncio lhe responda.



A meu ver, o próprio sistema consumista provocou a situação descrita acima. A concorrência e a disputa comercial chegaram a tal ponto que muitas vezes se faz qualquer coisa para chamar a atenção do cliente e em contrapartida este cliente torna-se cada vez mais exigente e detalhista, tornando a relação extremamente mecânica e superficial, para não dizer fria e impessoal. O fato de muitos preferirem se “auto servir” em grandes magazines é um sinal de que este modelo de relacionamento com o cliente está desgastado e um bom profissional de vendas no comércio poderá em pouco tempo tornar-se uma função em extinção. Esta mudança no hábito de consumo é o segundo aspecto que percebo ser importante considerar: O modelo self-service. Este também será (se já não está sendo) alvo de críticas quando o cliente se sentir “solitário” dentro de uma loja cheia de pessoas e sem ninguém que o ajude. Provavelmente perguntaremos: Para onde foram os vendedores? Ou não... Podemos chegar à conclusão que está melhor se auto atender. Daí, que se preparem e procure outra profissão muitas das pessoas que hoje atendem no comércio. Duro não?! Nos cenários que apresentei o que precisamos ter em mente é que o sistema de consumo é que será o implacável juiz da relação entre vendedores e consumidores “compulsivos”. A esperança é que estou descrevendo apenas algumas hipóteses, e que na verdade outras tantas mais ainda podem ser estudadas. Em uma sociedade em constante mudança, acredito que somos parte desta mudança e parte também dos problemas que a mudança precisa resolver. Para mim, vale a pena pensar, avaliar e depois de muito refletir, ainda assim estar aberto para discutir um pouco mais.


Tenha e faça uma ótima semana!



Por André Topanotti - Criciúma/SC - 10/06/2012



quarta-feira, 6 de junho de 2012

CURRICULUM MORTIS

Estive participando recentemente de um congresso e tive a oportunidade de ouvir Domenico de Masi, renomado sociólogo italiano, falando sobre as grandes macrotendências do mundo até 2020. Sobre estas tendências posso falar um pouco mais em outros artigos, neste porém pretendo abordar uma em especial. Antes preciso falar um pouco sobre Domenico de Masi: Nascido em Rotello, na província de Campobasso no sul da Itália no dia 01/fev/1938, residiu em Nápoles, Milão e Roma e aos dezenove anos já escrevia para a revist a Nord e Sud artigos de sociologia urbana e do Trabalho. Aos 22 anos lecionava na Universidade de Nápoles e mais recentemente assumiu o posto de professor de sociologia do trabalho na Universidadede La Sapienzia de Roma. Escreveu diversos livros, alguns deles tidos como revolucionários, entre eles se destacam: "Desenvolvimento Sem Trabalho", "A Emoção e a Regra", "O Ócio Criativo" e "O Futuro do Trabalho". Posto isto foi reconfortante ver um homem com a experiência de vida e 'tempo de estrada' como Domenico se apresentando com tal vigor, disposição e uma lucidez fantástica, discorrendo com tanta propriedade sobre o comportamento do homem sua sociedade, cultura e tendencias. Algum tempo atrás nunca imaginaria que um dia iria me imaginar 'envelhecido', mas durante a palestra daquele 'mestre vivido' eu me peguei pensando: Quero envelhecer como 'esse cara'. Não que Domenico chame a atenção por seu físico “conservado”. Falo de sua mente, uma “cabeça” jovem, aberta ao saber. Aqueles que puderam ouvi-lo naquele congresso viram-no brincando e galanteando sua tradutora de uma forma respeitosa, leve e descontraída, mas que provavelmente nenhum garotão de menos de duas décadas de vida saberia como falar a uma mulher. Coisas que só o tempo e a experiência ensinam a um homem sábio. Ouvindo Domenico falar eu percebi o quanto e notável você olhar para o passado e perceber o que o tempo fez em nós e a nossa volta, olhando pelas marcas daquilo que se foi deixado. Domenico de Masi escreveu sua mensagem de forma muito simples porem marcante na minha memoria pessoal. Falou naqueles 120 minutos de projeções futuras, contou historias do passado e como isto interferiu no nosso comportamento de hoje.

Quando Domenico falou sobre competências e carreira foi interessante à expressão que usou: "Curriculum Mortis"  (curriculo do que morreu) fazendo um ajuste ao termo currículum vitae (curriculo da vida - profissional, neste caso) referindo-se a necessidade de atualização constante que o mercado de trabalho exige hoje do profissional moderno. Pense bem: Aquilo que é colocado no curriculo para o selecionador de pessoas relata o que no passado foi vivenciado como experiência do profissional, os cursos que este cidadão realizou e sua formação acadêmica. São informações importantes sim, mas que é relato do passado. Agora quem garante que as competências de ontem são as mesmas que o mercado de trabalho exige hoje, ou mais desafiador ainda: que continuará a exigir no amanhã?! Por esta razão precisamos nos questionar "dioturnamente" se realmente nosso currículo está vivo ou se está morrendo. A propósito, quando foi a data de conclusão da sua faculdade mesmo? Quando foi o último curso que você fez? Por acaso está esperando a empresa pagar um outro curso pra você? Será que o seu curriculo não está indo pra UTI não? Cuidado!



Daí é que volto a Domenico de Masi: Penso quais as competências que este homem brilhante de 84 anos desenvolveu ao longo de sua carreira para mesmo depois de décadas como pesquisador, professor, sociólogo e escritor, tornar-se um dos mais requisitados palestrantes e conferencias do mundo? Se você olhar ao seu redor, consegue ver pessoas como Domenico em seu dia a dia? Minha percepção é de que somos carentes de referências como a deste ilustre professor, ou ainda Oscar Niemeyer que aos seus 104 anos de idade atravessou o último século revolucionando a arte moderna com suas criações em formas arrojadas, renovando-se em inspiração a cada nova obra. Podemos observar, sentar aos pés destes mestres e ouvi-los atentamente pois não há, pelo menos para mim, melhor lição de sabedoria do que aprender não com os nossos erros, mas com os erros e acertos dos outros. Para tanto recomenda-se o exercício do "ouvir humilde", aberto ao novo aprendizado. Quem sabe esta pode ser uma maneira de mantermos realmente o nosso "curriculum vitae", quero dizer, mantermos a nossa "experiência bem viva"!

Pense nisto e faça uma excelente quarta feira!


Por André Topanotti - 06/06/2012 - Arapongas/PR

domingo, 3 de junho de 2012

3 de junho: afinal, de quem é este dia?

Por Floriano Serra*

Alguém sabe se existe o Dia do Profissional de Recursos Humanos? Eu não sei. No dia 03 de junho comemora-se o Dia do Administrador de Pessoal. É a mesma coisa? Eu também não sei. Na busca por uma identidade própria, as áreas e alguns profissionais de RH vêm fazendo tentativas - algumas interessantes, outras nem tanto - começando pelo nome da área.

Já vi vários casos e, por exemplo, gosto de Gerência de Talentos Humanos. Numa outra empresa, encontrei, no lugar da tradicional Gerência de Recursos Humanos, um Departamento de Gestão de Gente. Diferente, não? Agora, pergunto, tudo isso é a mesma coisa que Administrador de Pessoal? O que eu percebo é que hoje em dia nenhuma área de RH aceita ser chamada de DP. Opa, então há uma diferença! Qual?   Não sou historiador, mas penso que estamos falando de uma evolução de tarefas, objetivos e missão. Historicamente, o advento de uma legislação trabalhista na década de 30 foi o que começou a dar um pouco de mais estruturação às práticas administrativas da época, que quase se limitavam à confecção da folha de pagamento. A partir de 1930, com Getúlio Vargas, foram realizadas mudanças nas questões trabalhistas, definindo-se medidas de proteção social aos trabalhadores.

Mas é a partir das décadas de 40 e 50 que, diante da intervenção do Estado nas relações trabalhistas, as empresas perceberam a necessidade de criar ou ampliar as funções de Recursos Humanos. A criação da CLT em 1943 confirmou definitivamente essa necessidade. Talvez aqui tenha acontecido o nascimento formal dos Departamentos de Pessoal (DP) , depois chamados de Departamentos de Relações Industriais (DRI). O que contribuiu em muito para o reconhecimento dos DP´s ou DRI´s foi a importância cada vez maior que passou a ser dada à seleção e treinamento de pessoal, reforçada pelas descobertas da Psicologia no campo comportamental, a promulgação de leis a respeito de segurança e saúde e a luta contra as discriminações nos empregos - isso já nas décadas de 60 e 70. É neste período que o então chamado Chefe de Pessoal começa a ter sua denominação substituída por Administrador de Pessoal - que posteriormente passou a Gerente de Relações Industriais e mais recentemente a Gerente de Recursos Humanos - exatamente quando as empresas perceberam que a área de RH influenciava ou participava de todos os demais setores organizacionais, como apoio ou no papel de consultoria ou assessoria, deixando de ser um mero Centro de Custos para tornar-se uma Unidade de Negócios.

Se bem me lembro, antigamente dizia-se, em tom de ironia, que "DP" tinha a ver com "Gerubal Pascoal, chefe de Pessoal", uma referência ao burocrata que trabalhava o tempo todo com a CLT na mão. Alguns até sabiam-na de cor. Naquela época não se falava de um DP ou RH com "papel estratégico", nem como "área de negócios". O DP ou Chefe de Pessoal era o setor ou profissional responsável pela execução das rotinas trabalhistas: admissão, demissão, folha de pagamento, recolhimento de tributos, etc. Isso ainda existe, mas cada vez mais, por motivos de otimização e redução de custos, esses setores e profissionais estão sendo terceirizados. E que não fique nenhuma dúvida: é claro que eles são importantes e necessários para qualquer empresa. Algo me diz que não é a esse "administrador de pessoal" que o dia 3 de junho faz festa. Mais do que nunca, existe agora a consciência de que empresa é gente. Sem pessoas não há empresas. Ponto.


A partir desse reconhecimento, as empresas, já há alguns anos, passaram a investir mais em desenvolvimento de competências, em qualidade de vida, em relações transparentes, em gestão participativa, em retenção de talentos - enfim, em práticas, políticas e programas de valorização do ser humano.


Um pouco administrador, um pouco psicólogo, um pouco conselheiro, um pouco advogado, um pouco improvisador, sempre criativo - e enormemente resistente à frustrações -, o profissional de RH é responsável por conduzir pessoas dentro da sua organização, de forma a mantê-las motivadas, comprometidas, qualificadas e, sobretudo, felizes e saudáveis. Este é o perfil do Administrador que, penso, será festejado no dia 3. E os responsáveis pelos DPs estão de fora da comemoração? Lógico que não! Pois são justamente eles que dão as informações e a infra-estrutura para que as ações estratégicas, sociais e políticas sejam implementadas ! Estou falando de um time.

Enfim, o que se pode resumir de toda esta ópera é que, seja chamado de "Administrador de Pessoal" , sejam chamados de "Gerente de Recursos Humanos" ou de qualquer outro titulo pertinente, os homenageados têm a enorme responsabilidade de, burocrática ou estrategicamente, possibilitar que existam empresas lucrativas. Esses profissionais merecem nosso maior respeito e admiração porque têm por nobre missão tornar a empresa um lugar atraente, onde as pessoas se sintam bem e gostem de trabalhar - o que significa administrar o único recurso que verdadeiramente dá vida, energia e resultados às organizações: gente. Ou, como queiram, pessoal, recursos humanos ou talentos. Tanto faz.

* Floriano Serra é colunista do Empregos.com.br, psicólogo, palestrante e Diretor de Recursos Humanos e Qualidade de Vida da APSEN Farmacêutica.